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quarta-feira, julho 20, 2011

A involução da Escrita


Lembro com saudades da minha professorinha de pré-primário, me ensinando a pegar no lápis e escrever corretamente. Até hoje pego no lápis de maneira estranha, mas pelo menos aprendi a escrever. Não que tenha adiantado muito. Poderia ter aprendido outras coisas mais valorosas como cantar funk, mas nessa época as coisas não eram assim. Acabei virando professor mesmo.

Fiz esta pequena introdução para falar sobre como os jovens de hoje em dia conseguem (ou não conseguem) escrever. Leio a notícia de que o estado de Indiana nos EUA está abandonando a escrita cursiva. Aquela feita à mão sabe? Quase caí da cadeira, num primeiro momento, mas se for parar pra pensar, não estamos indo para o mesmo caminho, só não admitimos?

Vejamos... Sempre que converso com alguém sobre escrita ouço: __ Poxa, tanto tempo que não escrevo, até desaprendi a pegar na caneta.

É camarada. O trem é feio. Computadores, notebook, celulares. Você pensa e eles executam. Escrever pra que? Dá uma trabalheira danada.

Disse à minha sogra, que me mostrou a matéria de Indiana, que desse jeito estamos fadados à involução da escrita. Explico didaticamente:

1 Esqueceremos as vogais
2 Perderemos as consoantes
3 Voltaremos a escrever por símbolos ou emoticons, talvez
4 Pra escrita cuneiforme já é um passo
5 Hieróglifos básicos
6 De tacape na mão, puxando as mulheres pelos cabelos, cheguemos na arte rupestre.

É claro que estou exagerando. Acredito em melhorias, mas é sempre bom tomar cuidado.
Todo começo de ano quando estou dando aula peço para os alunos fazerem um memorial critico / reflexivo sobre seu cotidiano, de no mínimo 30 linhas. Grande parte não sai das cinco primeiras. Outros embromam, aumentam a letra, repetem frases. É quase uma guerra contra o papel, sendo que o inimigo principal é o tal do português, coitado, tão castigado.

E assim concluiremos, sem escrever, sem ler, obviamente, e talvez, desaprendendo a falar. Aos gritos, grunhidos e engasgos chegaremos ao ponto de pedir clemência a São Machado de Assis, mas temendo sempre a volta de um Paulo Coelho qualquer. Nós somos merecedores, mas nem tanto né?

terça-feira, outubro 20, 2009

Entreatos


Estava eu novamente no balcão de um bar. Nada mais natural, digamos. Cerveja gelada, lugar de sempre, bicando a conversa alheia. Procurando reminiscências para clarear as ideias. Interessante uma noite assim? Vejamos:

1 – Entra um bêbado. Diz me conhecer, pede um cigarro e uma cachaça. Me chama de Rastaman, oferecendo um efusivo abraço, que recuso com um tapinha nas costas. Ele bebe a pinga e dorme no balcão. Acorda assustado e se vai, não sem antes tentar um novo abraço, que eu novamente recuso, é claro.

2- Mulher ao lado, acena para um garotão, que finge que não a vê. Ela tristemente olha pra mim e pergunta: - Eu tô tão feia assim? (juro que aconteceu de novo... acho que tenho cara de espelho de madrasta malvada). Digo que não, ela agradece e volta a seus devaneios, mas menti, devia ser muito bonita sim, só que por dentro, talvez.

3 – Dois jovens na fila do banheiro. Banheiro de buteco, onde mal mal cabe um, mas os dois entram alegrinhos, alegrinhos... Das duas uma: ou é paladar e tato ou é olfato. Prefiro não pensar em nenhuma das opções e me volto pro balcão.

4 – Hora dos doidos de plantão. Vão chegando um por vez. O primeiro é o Neném, um senhor grandalhão e careca que fala embolado e vive de óculos escuros. Vem cumprimentar e começa o discurso. Entendo apenas o final das frases, mas creio que não perco muito de sua retórica. Sai Neném e chega Marcão, perambulando pelas mesas, cantando sambas antigos. Em sua boca faltam pivôs e centroavantes. Ah! E cospe que é barbaridade. Mais uns minutos entra o Dudu, doidinho que só... pede cerveja pra todo mundo e é meio cambota, e por fim o Gordo, vendedor de DVD pirata e umas da pessoas mais engraçadas que já vi. Normalmente bate no Dudu, entre uma piada e outra.

E madrugada adentro as coisas vão se acalmando, entre brahmas, fumaça e muita conversa fiada. O bar fecha e ainda dá tempo de tomar uma saideira ao lado com as moças que antes me atendiam. Poxa, elas também são filhas de Deus né.

O certo é que, para espairecer um pouco não há lugar melhor, isso eu garanto. Contando assim parecem verdadeiros atos, escritos por um teatrólogo medíocre, mas não. Verdade verdadeira. Pra quem quiser conferir é só experimentar uma madrugada assim, como dizer, profissional.

E deixo bem claro, o bom profissional bebe de segunda a quinta. Fim de semana é coisa pra amador! E tenho dito!



Twitter: http://twitter.com/tiagosanzio

terça-feira, setembro 29, 2009

Cenas


Cena 1

Tempo fechado, jeito de chuva.
Uma mulher, 30 e poucos anos, puxando apressadamente sua filha. A pequena criança, com suas pernocas, tentando acompanhar os passos da estressada mãe, que aos solavancos diz: - Vem logo menina, agora mesmo chove e a gente molha toda, nunca vi andar tão devagar.

Cena 2

Tempo fechado, jeito de chuva.
Uma mulher, 50 e poucos anos anda devagar e apreensiva com a chuva que logo cairá. Sua filha adolescente vai na frente, falando alto: - Mãe! Anda logo! Não vou te esperar! Não posso molhar meus cabelos. A mãe olha, meio encabulada e tenta apertar o passo.

Conclusão: Sendo mãe ou sendo filha, ande sempre de sombrinha ou guarda-chuva, por que chatura e impaciência não tem idade.

Cena 1

Eu sentando no lugar de sempre, tomando minha saideira de sempre, no horário de sempre. Chega até mim um bêbado gritando, cuspindo e gesticulando: - Eu te conheço! Eu sei onde você mora! Onde você mora? Você sabe onde você mora?
Respondo compadecido: - Sim, eu sei onde eu moro. E ele: - Eu sabia que sabia onde você morava. Depois desse enriquecedor diálogo, começou a cantar e não parou mais.

Cena 2

Eu sentado no lugar de sempre, tomando a saideira de sempre, no horário de sempre. Duas jovens indo ao banheiro. Uma delas para na minha frente e pergunto: - Ei, eu estou bonita? Assustado com a pergunta, respondo que sim, sendo complacente e educado. Os atendentes às gargalhadas. Ela explica o porquê do questionamento e se vai, muito alegre pela resposta. Digo apenas: - Estamos aqui para isso.

Conclusão: Beber sozinho no balcão é como um quadro de Salvador Dali: Surrealismo puro. Espero o momento, neste calor, que o relógio na parede comece a derreter.

Na próxima, mais cenas para vocês.

twitter: sigam-me os bons!

terça-feira, setembro 22, 2009

Lei


Daqui uns dias vai ser assim...

Toc toc toc
- Mas quem será uma hora dessas da madrugada?
TOC TOC TOC!!!
- Já vai, caçamba, já vai! Pois não?
- Boa noite, meu jovem. Acabamos de receber uma denúncia que você estaria fumando em um ambiente fechado, e parece que é verdade mesmo, pois vejo que continua em pleno delito.
- Mas como é que é? Estou em minha casa. Quem é você?
- Mais respeito. Sou o novo fiscal do governo, adequando todos à nova lei. Não tá sabendo? Foi votado ontem no Congresso. Agora não é mais permitido fumar em local fechado, mesmo sendo sua residência.

- Haja paciência... Ei ei! Aonde você pensa que vai?
- Tenho ordens e mandatos para revistar todo o local do crime, atrás de guimbas, cinzeiros ou coisas do tipo e... o que é isso?
- Fecha essa porta que minha senhora está nua, corno manso.
- Hum.. agora entendo o cigarro. Apontado o agravante. Fumar após o sexo aumenta a multa, pois com toda certeza o meliante fumava na cama, e isso pode ocasionar risco de incêndio ou no mínimo buracos no lençol. Sua mulher também fuma?
- Não! E sua vó, fuma?

- Já lhe disse para parar com este desrespeito, por que o senhor já está em maus bocados. Essa carinha de classe média não me engana. Aposto que dividiu este ap em 25 anos pela caixa e ainda colocou o fundo de garantia e o genro como fiador, carro popular em 36 vezes e emendando com cigarro do Paraguai, o que aumentaria a pena, por compra de produto contrabandeado.
- O quê? Olha aqui meu maço, camarada. Tudo original!
- Rapaz! Pedirei reforços! Cigarro SEM FILTRO? Em países desenvolvidos isso te lavaria a pena de morte, sabia?!

- Onde já se viu algo assim... Em que mundo estamos, meu são Sebastião! Posso pelo menos saber de onde partiu a denúncia?
- Seu vizinho do lado, com toda certeza um cidadão de respeito.
- Faz-me rir. Cheirador safado.
- Opa! Cuidado com a calúnia heim bandido. A lei é clara. Crime é apenas pra quem fuma cigarro. O resto ta liberado. Não me venha com deliberações por que nossos governantes sempre sabem o que estão fazendo.

- É mesmo? Por que então você não vai fiscalizar o Palácio da Liberdade e me deixa em paz!
- Lá tá tudo limpo, posso garantir. Mesmo por que, segundo a nova lei charuto cubano da marca Monte Cristo também pode o que nos dispensa um trabalho e tanto.
- Quer dizer que rico tem direito de fumar né!
- É a vida meu caro. Já ouviu a máxima: Você sendo pobre, não pode mais nem cair morto, o que dirá fumar, prejudicando nosso ar e nossa imagem de povo saudável em frente aos bons costumes, o politicamente correto, a Rede Globo e suas mensagens de incentivo! Isso não, bandidagem. Teje preso, ta certo?

- Preso? Mas... cadeia? E lá pode fumar?
- Lá pode né... Já viu a lei entrar em presídio brasileiro!? Aí é querer demais...
- Hum.. sabe que não é má ideia... Pera ai que vou despedir da minha mulher...
- Mas sem gracinhas heim, que a coisa pode ficar ainda mais preta para o teu lado.

- Mais o quê?
- ...eu não disse nada...
- Opaaa!!!! Pego em flagrante nesta expressão completamente racista, companheiro!!! E agora, como fica?
- Bom... uma mão lava a outra, né...
- É... tudo em paz... falando em paz.. Afim de um tapinha?
- Ah... isso pode... creio eu...
- Ai Brasil, seu lado europeu que tanto me enaltece!

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terça-feira, agosto 04, 2009

Curtas 5


Senado

Muito se discute sobre nosso Senado, PMDB, atos secretos, opinião pública caindo de pau. Mas, o que me parece intrigante nesta história toda ninguém fala: Por acaso alguém já viu o Sarney sem bigode?

Complô

Depois da gripe aviária e da vaca louca, a gripe suína. Teimo em dizer que os vegetarianos juntamente com o greenpeace estão querendo dominar o mundo. Mas para garantir uma picanha maturada entro nesta guerra sem pestanejar.

Inverno

Se não chover em Belo Horizonte nos próximos dias podem acabar com nossas subidas e esquinas e trazer pra cá o Congresso Nacional. Pra virar Brasília falta pouco. Nosso governador já pensando nesta secura do tempo encomendou da Colômbia um nariz platinado novinho, dizem as más línguas. Vai se saber por que...

Livro e filme

Li nestas férias Budapeste do inenarrável Chico Buarque e agora estou morrendo de medo de ver o filme e achar una mierda, como normalmente acontece. O livro vale muito a pena. Recomendo.

Livro e filme II

E vão colocar na tela duas produções baseadas nas obras de Paulo Coelho. Ai ai... Neste caso a premissa acima muda completamente de sentido. Ambos devem ser ruins de doer.

Filme e livro

Depois de muitos alunos falarem pra eu ver, decidi aventurar num tipo de película que nunca me agradou. Peguei o tal de Crepúsculo e perdi 1 h e 40 min da minha vida. Tudo bem que é para adolescentes, mas, adoro desenhos e garanto que mesmo sendo para crianças são muito melhores do que este. Nem penso em chegar perto do livro.

Música

Ouvindo muito o CD que ganhei ano passado do compositor e cantor carioca Edu Krieger. Depois que vi a entrevista dele na Globo News, passei a dedicar mais atenção. Valendo a pena. E ele lança disco novo em setembro. Fico na espera.

Música II

Assisti também a cantora Aline Calixto no programa do Jô. Ótimo saber que os músicos daqui de BH estão aparecendo em rede nacional, pero, a entrevista deixou muitoooo a desejar, não pela Aline, mas sim pelo entrevistador, de quem nunca fui fã, deveras. David Letterman piorado. O disco dela? Gostei bastante. Podem conferir clicando aqui! Muita sorte para todos eles.

E vou ficando por aqui, mas esta semana reapareço com texto novo ok?

Abraços!!

segunda-feira, junho 29, 2009

Gênesis



Nesta última sexta feira fiz 26 anos no dia 26 do mês 06. Nada mais cabalístico não é mesmo? No entanto, os anos passam, a vida passa, tudo passaaaa, tudo paaassaraaaaaa, eles passarão, eu, passarinho.

Vem chegando a idade e começamos, no geral, a nos preocupar mais com as coisas da vida. Por exemplo, antes mesmo de pensar em vender um dos rins para pagar as contas, passei a ler muito Foucault, nem sei bem por que, e descobri que ele nasceu em 1926 e morreu no dia 25 de junho de 1984, um ano depois do meu nascimento. Vai vendo.

Querem mais coincidências? Começaremos do começo. Nasci no dia 26 de junho de 1983, no Hospital Maternidade Promater, às 06 horas da manhã, que fica na Rua Rio Pomba, quase esquina com a Rua Vila Rica. Até aqui tudo normal, se não fosse o fato desta rua ter se tornado tão importante para mim.

Neste pequeno trajeto existe nada mais nada menos do que o Cartola Bar, um dos lugares onde mais freqüento, além é claro do Chorinho do Bolão, na parte de cima. Quantas vezes subi por este caminho embriagado, entorpecido. Sozinho ou muito bem acompanhado. Ai ai...

São várias as lembranças. E o meu berço logo ali, ao lado. Teimo em dizer, que quando nasci um anjo muito torto, desses que vivem pelas madrugadas, a cantar, esquecendo o que passou, gritou em meu ouvido: Vai nego, cambaleante, sambando, ser gauche na vida.

Fui crescendo é claro, como toda criança, quase normal. Lembro-me bem que um dos momentos mais felizes da vida foi quando ganhei meu primeiro livro. Abri e falei com mãe, com grande inocência: Eu tenho que aprender a ler hoje, de qualquer jeito. Isso ela que conta e ri. O livro era Patati patatá, um clássico. Eu tinha 06 anos.

Aprendia a ler, não naquele dia, é claro, mas fui bem precoce. Nesta idade, a precocidade em nada incomoda, muito antes pelo contrário.

Depois deste acontecimento, muita coisa de importante aconteceu. Quem sabe eu relate um dia. É só vocês esperarem pela publicação da minha auto-biografia não-autorizada.

Até o presente momento, aqui estou, morando sozinho, trabalhando muito, pegando ônibus, descendo em frente ao Promater, virando à direita, subindo a rua, entrando no Cartola, pedindo uma Brahma, acendendo um paioso, ouvindo um samba, só na alegria, uma esperança vaga que eu já encontrei.

Acabo então esta crônica, meus caros, e me vejo aqui em frente ao computador, ouvindo o grande e pouco conhecido (infelizmente) sambista Batatinha, com a música Imitação, na voz de Gilberto Gil, que nasceu que dia? Que dia? Que dia?
26 de junho é claro.

Abraços a todos e obrigado pelos votos de felicidades, pelo orkut, telefone, mensagem, sinal de fumaça e pessoalmente. Fico muito feliz, de verdade!
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quinta-feira, junho 25, 2009

Elis para os Parabéns!

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Meu aniversário!! Lindo Lindo
Semana que vem volta a escrever direitim, prometo!
abraços!

sexta-feira, junho 19, 2009

O Universo Fantástico da Filosofia de Boteco


Número 14

Até os menos renomados filósofos de boteco sabem: dividir o silêncio é a maior das intimidades que existe. Disparado a maior. Dividir um segredo, e digo como comparação, é fácil. Há quem entregue o maior dos seus segredos só para não ficar calado, para se ter uma idéia. Mas o que só os mais experientes sabem é que o silêncio e a sinceridade são armas que devem ser usadas com parcimônia.

Domingo, 0h, 24min.

Todos devidamente introduzidos, digo, situados e cientes de que partilhar o silêncio gera mais confiança que qualquer atestado de bons antecedentes poderia, avanço.
De antemão, peço desculpas por preservar a identidade do amigo protagonista do caso que segue, pra lá de verídico. Não posso dizer quem é. Com a privacidade dos colegas não se brinca. Na impossibilidade de identificá-lo, para facilitar as coisas, vou chamá-lo apenas de João, o mais comuns dos nomes.
_ ...
_ ...
_ ...
Registro que vivíamos aquele silêncio transcendental, óbvio que não trocávamos olhares ou risinhos. Os amigos sabem, não tenho inclinação para a coisa.
_ ...
_ ...
_ Sujeito.
_ Diga, João*.
O colega sentia-se, creio, mas não tenho certeza, tranquilamente à vontade com o silêncio. Se ele iria dizer algo, é porque realmente precisava.

_ Mas você não pode contar pra ninguém. Segredo.
_ Tranquilo. Manda.
_ Tem que prometer.
_ Está prometido.
_ É sério.
_ Promessa feita, promessa paga.
_ Beleza. Mas você jura?
_ Então não conta.
_ Está bem, vou contar.
_ Eu disse para não contar.
_ É que...
_ ...
_ É que...
_ É que o quê?
_ É que não sei como dizer.
_ Pois não diga.
_ Sou do balacobaco.
_ ...
_ ...
_ Nããão.
_ Sim.
_ Não entendi, quero dizer.
_ Como você diz mesmo?
_ Eu?
_ Quando você fala dos...
_ Dos o quê?
_ Sou biba!
_ ...
_ ...
_ Nããão.
_ Sim.
_ Nããão.
_ Sim.
_ Desde que soube que você é flamenguista, desconfiei!
_ Não brinca. É sério.
_ Só que eu desconfiava mais do Luiz. Você está falando sério mesmo?
_ Sério.
_ Aí, santa!
_ Pára.
_ Então você é da turma da fronha mordida? Do time do azulejo arranhado? Na salada de fruta, você é a pêra?
_ Fala baixo. Vou ficar no armário por enquanto.
_ Nas suas gavetas eu não mexo.
_ Sem gracinha.
_ As mulheres amam os gays, sabia?, aproveite que virou biba e cai matando.
_ Sem palhaçada. E eu não “virei”, mas descobri.
_ Quando meu irmão, canalha, descobriu que os jeitosos estavam em alta com as meninas, ele desmunhecava por canalhice.
_ Sem essa.
_ Aí começaram a insinuar que ele era do babado e ele disse: “é, para ser gay tem que ser muito macho. Estou fora”.
_ Só que eu sou gay pra valer.
_ Agora senti firmeza, Sr. Queima-rosca.
João* não responde.
_ Aposto que você é passivo, não é? Você tem cara de passivo...
_ ...
_ Desculpe, você sabe, a gangue do arco-íris tem meu respeito.
_ Não deixe mais escapar as oportunidades pra ficar calado, então.
_ O silêncio tem nuances incontáveis, meu amigo.

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Texto: Alexander Reis
Desenho: Pablo Leandro

quinta-feira, maio 28, 2009

Cantadas


O sonho de todo homem é conhecer a cantada perfeita. Aquela que leve qualquer mulher à loucura. Não dê muito trabalho e nem gaste muita saliva. Simples e objetiva. No entanto, infalível, eficiente.


Sonhar é bom e travesseiro é barato, meus caros por que estamos longe de desvendar o mistério que ronda tal entendimento completo. Todos estão carecas de saber que as mulheres são diferentes em diversos aspectos, e querer agradar a todas, tá pra nascer este super-homem.


Normalmente o cara para dar esta cantada perfeita teria que ser:


Bonito, mas que não chamasse muita atenção, inteligente, mas nada arrogante ou bitolado com os estudos, trabalhador, mas que tivesse tempo pra se divertir, divertido e engraçado, mas não palhaço da turma, que saiba se vestir, mas não melhor que ela, que seja rico, mas não materialista, que seja macho, mas nunca homofóbico, que seja hetero, mas tenha um lado feminino, que seja carinhoso, mas não pegajoso, que seja compreensivo, saiba discutir a relação e respeite sua TPM, mas ai dele se inventar de jogar futebol num domingo a tarde.


É quase isso... resumindo, é claro. Pensando nestes pormenores, para conseguir uma mulher nos dias de hoje, almejei virar um verdadeiro publicitário, vendendo de certa forma meu produto, se é que vocês entendem.


Porque lhes digo, em matéria de cantadas sou um verdadeiro palhaço sem picadeiro. Seria mais ou menos assim:


Oi moça bonita! Vai levar o que hoje? Tô aqui viu, limpinho e pouco usado. Quer ao menos dar uma olhadinha? Não paga nada!


Aproveita, princesa. Agora é promoção de dia dos namorados. Pegar ou largar. É pra fechar o estoque. Tudo a preço de banana. Satisfação garantida ou seu dinheiro de voltaaaa!


Serei sincero com você, nega, por que senti que ficou balançada. A lataria ta meio danificada, ta vendo né? E também costuma beber muito, no entanto tem suas compensações.


Uma retórica legalzinha, um tanto inteligente, trabalhador, gosta de samba, história e literatura. Carinhoso, bom ouvinte e muito modesto. Amor meu, você não vai se arrepender. La garantia soy yo, literalmente!


No fim ela ficaria indecisa, e acabaria levando um modelo mais novo, menos surrado, que chagasse cedo em casa, não bebesse ou fumasse. Pobre de mim, meus amigos. Nem em queimão de estoque.


Mas deixe estar. A paciência é minha maior virtude e as coisas um dia mudam, ah se mudam...


Falando nisso, alguma solteira disponível por ai?


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Texto em homenagem a Nanah (pretinhaaaa). Valeu pela inspiração!


Agitar o fim de semana? Programe-se aqui! (orkut)

terça-feira, abril 07, 2009

O espelho


Fazia séculos que não encarava de verdade um espelho. Bobagem, sempre dizia. - Não preciso me ver para saber que aqui permaneço, intacto, inerte, sem qualquer preâmbulo ou ocasional mudança.


Um dia, sem perceber, acabou dando de cara consigo mesmo. O assombro foi tamanho que este encontro abalou muito seu jeito de pensar. Reparou no corpo, nos olhos, cabelos, mãos, braços, na alma refletida. Um diálogo disperso começara, sem qualquer sinal de intimidade.


- Olá – disse o reflexo. Quanto tempo não lhe vejo. Por onde tens andado?

- Vou por ai. Realmente sentiu minha falta?


O espelho permaneceu alguns segundos em silêncio e refutou.


- Você engordou. Está bem corado. Deve estar feliz, mesmo tão longe de mim.

- É... As coisas mudam não é mesmo? Mas vaidade nunca foi o meu forte. Talvez a loucura. Onde já se viu? Conversar com o próprio reflexo?

- Eu que o diga. Passei tantos anos calado. A solidão machuca, sabia? Neste meu mundo, tão ao contrário, o pecado seria a desvirtude da vaidade.


- Desvirtude? Essa palavra existe?

- Acho que não, mas deu pra entender né. Sou meio gauche no mundo. Respeite.

- Sim. Compreendo. Você também está bem. Apesar de um pouco pálido.

- Não tenho saído muito. Este vidro sempre tão empoeirado acaba com minha saúde.

- Um mal necessário, creio. Deixando o espelho sujo, fica mais difícil de me ver, ou te ver, ou nos vermos, sei lá.


- Você é meio covarde, não é mesmo? Por que tem tanto medo de encarar a realidade refletida?

- Realidade? Olho para o espelho e vejo apenas o que quero. Se fecho os olhos, nada vejo. Realidade? Chega a ser patético comparar algo refletido com o que acontece à minha volta.

- Nunca ouviu falar que os olhos são o espelho da alma? Você às vezes me parece tão raso. Tão vazio. É falta de mulher, por acaso?


- Espelho insolente. Por isso passei tanto tempo sem olhar pra você.

- Medo da verdade, não é? Sempre o medo!

- Medo? Não tenho medo, meu caro.

- Você tem medo sim. Medo de envelhecer. Envelhecer sozinho. Covarde!


Ambos permanecem em silêncio. Longos minutos se encarando. Tentando ver os defeitos, as falhas, na verdade predominantes, como em qualquer um.


- Só não lhe quebro todo por razão do azar que pode me proporcionar.

- Talvez fosse um fim mais justo. Prefiro ficar em mil pedaços lhe vendo ponto a ponto do que inteiro e abandonado sem qualquer sombra do seu eu.

- Psicótico, você.

- Foram as paixões que me deixaram assim. A falta de alegria acaba com a glória de qualquer imagem refletida.


- Tenho que ir. Esse papo me cansou.

- Vá! Divirta-se para variar um pouco. Encha a cara, talvez. Quem sabe assim não me traz um sorriso. Ou dois. Seria bom! Desejo-lhe sorte, apesar de tudo.

- Farei o possível, meu caro. Somos bem parecidos, afinal.

-Mais do que você pensa.

- Tomo uma por você.

- À nossa saúde.

- Sempre.


Despediram-se e cada um foi para seu lado. Na volta, a imagem não seria a mesma, e o diálogo esquecido. Estava de braços dados com uma linda mulher. Eram os dois sorrisos que havia prometido.

quinta-feira, abril 02, 2009

O Universo Fantástico da Filosofia de Boteco


Número 11


Corro até a banca. Como faço sempre que acordo suadão e neurótico também. É esquisitão. Mamãe acredita que é algum distúrbio seriíssimo. Mamãe mal sabe a diferença de neurose para necrose. Não dá para confiar no diagnóstico dela.


Sexta, 09h21min


_ Tem a Folha de São Paulo aí?

_ Claro.

_ E a Cult?

_ Aqui está. 11 reais.

_ Então, vou levar o Super.

_ São 25 centavos. Fez uma boa escolha, doutor. Pode confiar.


Pago. Pego o jornal. Eu só tinha mesmo os 25 centavos. Procuro logo a parte que me é importante. Deixe-me ver.

“Jogadores da seleção em farra com travecão”: Não.

“Traficante acusado de vender orégano diz que é inocente”: Não.

“Relax: Marcinha Sebosa. Oral, anal, bem animal”. Bem, hoje não.


Achei: “As previsões do horóscopo”. Finalmente o que de fato interessa. Leio.


Você terá um dia absolutamente comum. A Lua e seu regente Netuno vibram a favor da ordem próspera e do sensual elegante. Afaste-se das pessoas de comportamento suspeito. Não é um dia bom para comer abacate.


Ok, caso apareça alguém com uma escopeta na mão, vou considerá-lo suspeito. Mas se estiver com uma escopeta na mão e um abacate na outra, saio correndo.


Subo o quarteirão. Viro a primeira à esquerda e a segunda à direita. A parte do “sensual elegante” só pode ser erro de digitação. Caminho lenta e neuroticamente. Do nada, sinto algo relando em minhas costas. Que susto. Os amigos sabem, não tenho inclinação para a coisa. Relar em mim não! O quê que é isso!


_ Perdeu, playboy – ele diz.

_ Perdi o quê?

_ Tô armado, rapá. Treta pura. O barato é louco. Vai passando.

_ Por acaso, você tem uma escopeta ou um abacate aí?

_ Não, só um 3oitão. Quer sentir o veneno?

O horóscopo disse que meu dia seria comum. A favor da ordem. Ordem próspera não deve ser ruim. Fico tranquilo. Se bem que, eu deveria ter evitado “o suspeito”. O malaco é pra lá de suspeito.

_ Passa a carteira - ele diz.

_ A de identidade ou de motorista?

_ Vai passando tudo.

_ Deixe só eu pegar essa foto de mamãe. E o cartão.

_ O cartão eu vou querer.

_ Mas é cartão telefônico. Não tenho crédito na praça. Só débito.

_ Então pode ficar. Eu tenho celular. Quero sua nota.

_ Que nota?

_ O dinheiro. Cadê?

_ Ah, o dinheiro. Sim. Poxa, estou meio quebrado. Sabe como é. Final de mês é complicado.

Curiosamente, o bandido está bem melhor que eu: Nike Shox, Golfão GTI, celular de bacana. E eu humildão, de havaianas.

_ Você está pálido, rapá. Entre pálido e verde, ele diz.

_ Essa minha neurose. Fico esquisitão.

_ Que doideira, rapá. Que maluquice é essa?

_ Fiquei assim depois que cheguei à conclusão de que não dá pra confiar em nada, em ninguém. Nem no horóscopo! Nem no horóscopo!

O malaco manda um rap:

_ A confiança é uma mulher ingrata / que te beija e te abraça,/ te rouba e te mata.

_ Pois é. A gente toma uísque paraguaio pensando que é Blue Label. É traficante vendendo orégano...

_ Nem em traficante a gente pode confiar. – diz o bandido, com um estranho código moral.

_ É jogador confundindo traveco com gatinha...

_ Sei. O tal do “me engana que eu gosto”.

_ Mas, enfim, a confiança é uma ilusão que só. Parece que todo dia é primeiro de abril.

_ Ah, vida loka.

O bandido fica meio deprê, xué.

_ Cuidado, hein. Vai acabar verde, como eu.

_ É o stress, playboy. Meter fita é correria. Sem feriado, sem carteira-assinada, sem direito à previdência

_ Imagino. Não deve ser moleza ficar por aí fugindo. Fudendo geral. Trocando tiro. Destruindo lares.

_ Nem fala, irmão. Mas, desta vez, vou te dar um boi.

_ O que eu vou fazer com um boi?

_ Rala peito, rapá. Vou te liberar. Mas se eu te encontrar sem dinheiro de novo, a chapa vai esquentar. Pode ir. Você está com uma cor de abacate da porra.


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Texto: Alexander Reis

Ilustrações: Pablo Leandro


Eventos Culturais? Abril Nervosooo! Clica ai!

segunda-feira, março 30, 2009

Um conto que conto


Quando se conta um conto, imagina-se uma música. A letra, a melodia, a poesia, o princípio, o meio e o fim. Quando se conta um conto, se abstrai o sentido do real, deixando-se navegar em um mundo, em um tempo paralelo, tendo talvez o próprio firmamento como único limite.


Não sou contista, mas gostaria. Por enquanto tentarei apenas recolocar figuras de minha memória, desgastada pela boemia em excesso, mas que tanto me satisfaz.


Lembro-me muito bem de uma senhora em minha infância. Não era muito velha, mas eu era muito novo, sendo o tempo vilão fugaz da noção. Essa senhora vendia salgados e doces na praça da igreja, todos os dias, a partir das 17 horas. Coxinha, pastel, kibe, tudo acompanhado de um delicioso molho que ela mesma fazia e se orgulhava em dizer isso.


E o doce? Chamávamos de recheio. Era uma massa que vinha com pedaços de banana por dentro e com muito açúcar refinado por fora. Uma incontestável delícia que custava poucos cruzeiros na época, e logo depois, menos reais ainda.


Pelo menos uma vez por semana eu comprava algo. O recheio acabava rápido, então tínhamos que ir cedo. Eu chegava e ela dizia (sempre): Oi menino. Como você cresceu. E sua irmã? Já se casou?


Estava falando da minha prima, que demorou alguns aninhos para se casar. Eu também estava evidentemente solteiro. Para falar a verdade ainda ando largado pelo mundo, mas isso é uma outra história.


Outro fato importante a constatar é que na condição de “apenas estudante”, ficava sentado pela praça vadiando e mais de uma vez ouvi pessoas pedindo para ela a receita do tal recheio. Ela desconversava, falava da trabalheira, dos filhos e nunca entregava o ouro.


Um dia, eu já adolescente, ela não mais apareceu. O banco da praça se tornou vazio. Ouvi histórias de que estava cansada, meio doente. Depois ouvi que sua filha lhe maltratava e ela acabou sofrendo um derrame. Hoje não sei nem se continua viva.


E sabe o que mais? Nunca perguntei seu nome. Era a dona do recheio. Sempre foi. Não gosto tanto mais de doces. A cerveja acabou confundindo meu paladar. Com a idade fui tomando conhecimento das cachaças, vinhos, uísques... Mas por algum motivo hoje após o almoço me veio na mente o gosto a tanto tempo esquecido. Deve ter sido a ressaca.


Penso nesta época como um momento singular de alegria. É claro que vivi tantos outros, mas vá se saber por que alguns ficam mais vivos e reluzentes.


Acham estranho? Nem tanto. Sempre que estou perto de certas mudanças a nostalgia, principalmente destas coisas mais simples, acabam por surgir. Gosto disso.


Qual mudança? Um misto de alegria e frio na barriga. Saio do antigo bairro, da casa onde tenho proteção e vou enfrentar o "mundo". No MEU canto! Novas responsabilidades e desafios. Tudo novo!


Quero lembrar sempre deste passado. Desta dona que adoçava um pouco meus dias, sem é claro deixar de pensar no presente, onde tenho a missão de, mais uma vez, tomar o rumo desta embarcação surrada e cheia de devaneios (se isso é possível).


E, com toda certeza, outros doces virão. Agora um pouco mais amargo, esfumaçado, melancólico, sexual talvez, em ritmo de samba com certeza. Cada criança, na verdade, tem o doce que faz por merecer. Não é assim que funciona?

quinta-feira, março 05, 2009

O Universo Fantástico da Filosofia de Boteco


Número 9


Terça, 01h59 min.


“Discurso!, discurso!, discurso!”

_ Não, não. Façam isso não, que eu tenho vergonha.


“Discurso!, discurso!, discurso!”

_ Hoje nem é meu aniversário. Eu só falei que era, para que ninguém faltasse.


“Vacilão!...”


Os gritos ensandecidos dos amigos me animaram até. Lembrei-me que sempre quis fazer um discurso, um dia. O bom orador: tem que ser ágil, qualquer fala que extrapole um minuto e meio é desnecessária. Esse é o tempo máximo que conseguimos nos concentrar no que o orador diz, antes de viajarmos no universo fantástico dos pensamentos depravados e libidinosos – bem mais interessantes que discursos em geral, diga-se.


“Discurso!, discurso!, discurso!”


_ Amigos, para início de conversa, certa vez procurei os Alcoólicos Anônimos pensando que encontraria uma turma mais agradável, no que peço desculpa. Vocês são os melhores amigos do mundo!

Aplausos efusivos.

_ Acreditem: para muitos, beber é um grande problema, uma doença grave que não permite piadas, pois é algo realmente triste. Sei que vocês não conseguem imaginar como ficar sóbrio pode ser bom e prazeroso; eu também não. Afinal, o mundo é realmente muito triste...

Luizinho grita: “se estou são, não estou salvo!”. Os esquisitões riem. Os caretinhas não entendem bem.

_ A terra está em transe, meus amigos, nós todos estamos. Acho que só entenderemos nossos maiores erros quando estivermos velhos e lesados, não é mesmo?

“É”, todos concordam, em coro, de um modo meio cantado, inclusive.


Um curioso – sapo, bico, entrão –, enfim, alguém, não sei quem, canta para nossa mesa: “Beber, cair e levantar!”. Uma coisa absurda.

_ Bicudo, respeito e até admiro seu estado de embriaguês! Não digo o mesmo das suas referências culturais. Essa música é horrível. Mas, em compensação, a letra é péssima. Se você caiu e ainda assim se levantou, é tolice beber mais. O melhor é tomar um Sonrisal ou um Engov, remédios que, sem dúvida, mudaram a história da humanidade... Além do que, já é tradição, desde a invenção do achocolatado: quem não aguenta deve beber apenas Toddynho.


O velho Bicho-do-mato, grande camarada, em apoio, grita com selvageria e empáfia: “Muito bem. Sapo de fora não ronca, não!”

_ Continuemos, então. Vocês sabem das pingas que tomo, mas não sabem dos tombos que levo...

“Opa, espere aí. Sabemos, sim. Já vimos você tomar muitos tombos, contando os literais e também os não literais”, diz o Banjo do Pandeiro, com absoluta sinceridade.

_ Banjo, você é o único amigo do mundo com dois instrumentos musicais no nome e por isso tem o meu respeito. A verdade é que eu vi essa frase na traseira de um caminhão antes de ontem pela manhã e não me contive em citá-la. Os discursos ficam ótimos com citações!

“Uhhh!” – logo em meu 1º discurso sou vaiado. Estranhamente, os colegas parecem não gostar tanto de citações.

_ Acalmem-se, acalmem-se. Vocês são uns malas, pela 1ª vez sinto saudades dos colegas do AA.

“Uhhh!” – logo em meu 1º discurso sou vaiado duas vezes.


_ Amigos, durante o dia nos portamos como camaleões. Para passarmos despercebidos, nos misturamos à paisagem, porque não somos bobos e queremos evitar problemas, certo?

“Ceeeeerto!”.

_ Portanto, aproveitando que vocês estão bêbados e bem mais humanos (e nem tão camaleônicos!), proponho que lembremos...

Todos me olham de forma simpática, agora. O pessoal adora um discurso propositivo.

_ Lembremos aqueles tempos em que o futuro era só esperança e sonho, não dava dor de barriga, nem aflição, quem se lembra?

“Eu lembro”. “Eu também”. “Se lembro!”.

Com exceção do Bicho-do-mato, que teve uma infância difícil, e do Luizinho, que garantiu ter fumado as recordações da época, todos lembravam.

_ É, amigos, só vocês me entendem!, oh, quanta alegria! Pena que aqueles dias jamais voltarão. O futuro é muito assustador. Brindemos ao passado!, ele parece melhor a cada dia. Acho que até melhor do que foi realmente.


Aplausos efusivos dos amigos sem lembrança. Silêncio dos demais.


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Texto: Alexander Reis

Ilustração: Pablo Leandro

segunda-feira, março 02, 2009

Auto-conhecimento


Futebol


Já vi de tudo indo ao Mineirão. Briga, arrastão, violência policial, racismo... No entanto o que ficou realmente na memória é meu pai me levando aos 7 anos de idade e eu maravilhado com a imensidão daquele gramado, a vibração da torcida e o grito de gol. Ainda vale a pena.


Bebidas


Antes eu só tomava Brahma. Ai conheci a Serra Malte e me apaixonei. Agora um amigo vende whisky barato e faz a alegria da galera. É... ser escritor de fim de semana não é nada fácil!


Livros


Normalmente leio três livros por vez. Acabo um e começo outro. Tem o livro de cabeceira, que leio antes de dormir, um livro de crônicas, mais leve pra descansar e por fim, o livro de banheiro! Por incrível que pareça é esse que sempre acabo primeiro!


Desatino


Chamaram-no de louco e ele nem notou. Gritaram e esbravejaram, e ele nada. Partiram pra agressão e ele se fez de desentendido. Na verdade era doido de pedra mesmo!


Mudanças


Tenho em mente realizar um grande sonho. Deixa a novidade mais pra frente. Garantia de coisa boa de verdade. Crescimento, amadurecimento. É isso que busco, enfim!


Samba-paixão


Normalmente vejo a vida como um samba. O toque do pandeiro é o ritmo básico que cadencia os movimentos obstinados de minha vivência. Cada nota, cada canto, cada grito um tanto contido, são ingredientes para uma bela canção.


Sou o que chamam de bom ouvinte, capaz de diferenciar e apreciar a música em sua forma plena. Vivo este samba de maneira intensa, mais do que qualquer um possa imaginar.


Não nasci íntimo, mas me tornei amante. Apaixonei-me de forma arrasadora. Coisas que não controlamos, pois nasce e renasce, por diferentes caminhos, mas sempre com a mesma energia, embalando emoções e sentidos.


O samba nada mais é do que o cotidiano em versos, o amor em sua forma pura, o ritmo que quebra e é contínuo, a poesia negra como a alma, levada ao batuque que tanto encanta. Sou do samba, sim senhor, com orgulho lhes digo, isso ninguém me tira.


É... deixo esta arte me conquistar... A certeza de uma noite de prazer é o que mais me deleito em saber. Formas estranhas de dizer aos deuses, meu pai Oxalá, minha Nossa Senhora Aparecida, mãe preta, que este samba que ouço é parte integrante de minha vida, e assim sempre será!


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Eventos Culturais? Clica ai que tem coisa boa! (orkut!!)

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

O Universo Fantástico da Filosofia de Boteco


Número 8


_ Bem, filósofo que se preze sabe o momento certo de fazer certos esclarecimentos. Não sei de onde tirei isto. De todo modo, bem, eu não me prezo. Não sou filósofo nem sei esclarecer, pelo contrário.

_ Pode refazer a frase, Sujo. Tente quantas vezes precisar.


Luizinho, amigo dos mais compreensíveis, sabe que nos bares é onde ouvimos as besteiras mais absurdas, mas também onde ouvimos besteiras que parecem sensacionais enquanto estamos embriagados, mas, enfim, não se diferem muito das besteiras absurdas. Pelo que calculo de cabeça: coisa de 92,5 % do que é dito na mesa de bar.


Pode parecer muito, mas na mesa de truco o índice de besteira chega a 98,9%. Na mesa de jantar, 76,4%. Na TV, o índice de bobagens é de 97,3% (incluindo aí as mesas-redondas, mas não os jogos de futebol). Calculei tudo de cabeça. Retomo: o fato é que o Luizinho, o amigo sensível (digo, compreensível), pensa que irá ouvir algo dos 7,5% de coisas interessantes. Não irá.


_ Não é de todo errado dizer que falamos muita besteira “aqui, nesta mesa de bar”. Em nosso favor, argumento que todo mundo é assim. Não reparou que escutamos asneiras o dia inteiro?

_ O dia inteiro. E concordo também com a parte do “não é de todo errado”, que você falou.

_ Mas o injusto é dizer que “aqui, nesta mesa de bar”, só falamos de mulher, política e futebol. Afinal de contas, não existem muitos outros assuntos.

_ Era isso que você queria dizer desde o início?

_ Sim.

_ Que grande idiotice.

_ Além do trivial, conversamos sobre filmes. Que falam de mulher, de política e, vez em outra, de futebol.

_ Espere. Sujo, seu desmiolado, você está sugerindo que o planeta não gira ao redor do sol? (mas de mulher, política e futebol?)

_ Política, por exemplo: não há canto com mais de dois humanos sem. Acho que com um humano e um cachorro já há uma relação política, mesmo que unilateral.

_ Unilateral, não. O cachorro não pensa, não deve ficar por aí fazendo política: até aí tem razão! Mas os cachorros têm em seu instinto, por exemplo, a política do balança-o-rabo, está em seus genes.

_ Que Darwin, bicentenário, não revire em seu caixão.

_ Fora as mulheres que, por influência canina, aderiram à política do balança-o-rabo. Melhor que a do rabo-preso...

_ Não importa. O que quero dizer é que qualquer assunto se desdobra, em algum sentido, em política.

_ E mulheres.

_ Quando falamos dos dissabores de um caminho errante, terminamos em política.

_ E mulheres. Deve estar cheio de mulher nesse tal de caminho errante.

_ _ Até quando falamos em religião terminamos em política!

_ Graças a Deus, não sou muito religioso.

(...)

_ Quando estamos sem assunto, sempre falamos de futebol, né Sujo.

_ É o que digo.

_ Serve como muleta, para uma conversa capenga. Pode servir também como uma metáfora para a alienação humana...

_ Não vem com frescura, Luizinho.

_ E as mulheres, sensacionais, falamos delas tanto porque somos obcecados por elas!

_ Você, nem tanto. Mas, mudando de assunto, sabia que o índice de besteira na internet chega a 99,2%?

_ Pouco. Pensava que era mais. Não sei de onde você tira estes números.


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Texto: Alexander Reis

Ilustração: Pablo Leandro


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Recado Importante, aproveitando o post!! Quem manda é minha amiga linda Janaína Moreno!


Caríssimos amigos.

Participo do conexão Vivo 2009, e convido a todos para visitarem o site http://jana.conexaovivo.com.br/
e votarem em meu perfil para finalista deste ano. Os 4 perfis mais votados estarão entre os finalistas que percorrerão o interior de minas fazendo shows.
Neste site vcs poderão escutar minhas músicas além de poderem ler coisinhas sobre mim e deixar recados.


A votação acontece até o dia 21/02. Conto com vcs na votação e divulgação


Um grande abraço
Janaína Moreno