segunda-feira, agosto 01, 2011

Quero ser Chico Buarque


Capítulo 1

Quando são devaneios etílicos

Neste primeiro capítulo o certo seria introduzir ao leitor os motivos que me levam a produzir sobre Chico Buarque. Rasgaria seda e cairia no lugar comum, o que não é meu propósito, valendo lembrar que se eu tivesse esta resposta seria um jornalista e não escritor de fim de semana.

Escolhi percorrer um caminho menos objetivo, que perpassa pontos fantasiosos e experiências surreais, não necessariamente nesta ordem. Certo dizer que, separar o real do imaginário não será minha intenção, muito antes pelo contrário. Espero não ser incompreendido ou, no pior das hipóteses, processado. Entendam como uma mera homenagem...

E caminho na praia, olhando ao longe o oceano, entre Copacabana e Ipanema, sem destino, madrugada adentro. Mineiro avesso ao mar, no Rio prefiro a noite, o samba, os mistérios da madrugada interminável.

Estou meio que embriagado e sozinho. Isso se passou há uns 5 anos atrás, creio eu, e nestes desatinos inconcebíveis, pairando a pé em Copa, decido chegar até a Lagoa Rodrigo de Freitas, onde imagino encontrar com Chico, talvez saindo para uma caminhada matinal.

Lembro bem que a intenção era boa, mas a ideia não. Percorri longo caminho e encontrei com o primeiro fantasma, dessas figuras lendárias que nunca dormem, e que, sem cerimônias indagou em bom inglês:

_ What´s up, man. black or white?

No mínimo meu cigarro de palha era novamente confundido com maconha, ou talvez a os dreads que antes me embelezavam eram os verdadeiros culpados.

Como minha resposta foi em português embaralhado ele logo percebeu que eu não era gringo. Falei que era mineiro, de BH e ele sem pestanejar:

_ Mineiro? Conheço Milton Nascimento. Gosto muito!

E cantarolou Coração de Estudante, antes que eu pudesse falar que Milton era, na verdade, carioca.

Desvio do assunto, do sujeito e da música. O plano é outro e continuo andando. Mas o Rio é o Rio e as surpresas me esperam. Logo ali em um quiosque, Mulatas, Polacas, Joanas, Beatrizes e talvez alguma Geni, não sei. Ouço meu nome! Interrompo imediatamente os passos e fico a pensar na morte da bezerra, ou, como assim ela sabe meu nome? Uma das moçoilas intervém de copo na mão e pouca roupa:

_ Tá perdido Mineiro?

_ Talvez sim, talvez não – digo evasivo, ganhando tempo. Mas a verdade é que a memória me traía. Quando? Onde? Por quê?

Não recuso o copo e ela me lembra de um porre noites atrás. Nenhum trabalho realizado a meu pedido, descubro aliviado, mas sim a encontrei com um grupo de gringos italianos. Foi onde aprendi que prostituta no Rio fala no mínimo 3 línguas, ou fica fora do mercado. Os gringos se foram e elas ficaram, pois o dia estava fraco e a sede era grande, segundo me disseram.

De consciência limpa e com a honra intacta me transbordo de histórias daquelas sofridas (ou não) mulheres e quando me dou conta já é manhã e Chico não deve ter me esperado.

Aborto a missão, mesmo por que as pernas desobedecem, e o corpo teima em padecer. Saio assobiando Samba e Amor, distraído como sempre, enquanto procuro o caminho de volta para minha BH.



No próximo capítulo descubro que, para ser Chico Buarque tenho antes uma grande fila para enfrentar...

quarta-feira, julho 20, 2011

A involução da Escrita


Lembro com saudades da minha professorinha de pré-primário, me ensinando a pegar no lápis e escrever corretamente. Até hoje pego no lápis de maneira estranha, mas pelo menos aprendi a escrever. Não que tenha adiantado muito. Poderia ter aprendido outras coisas mais valorosas como cantar funk, mas nessa época as coisas não eram assim. Acabei virando professor mesmo.

Fiz esta pequena introdução para falar sobre como os jovens de hoje em dia conseguem (ou não conseguem) escrever. Leio a notícia de que o estado de Indiana nos EUA está abandonando a escrita cursiva. Aquela feita à mão sabe? Quase caí da cadeira, num primeiro momento, mas se for parar pra pensar, não estamos indo para o mesmo caminho, só não admitimos?

Vejamos... Sempre que converso com alguém sobre escrita ouço: __ Poxa, tanto tempo que não escrevo, até desaprendi a pegar na caneta.

É camarada. O trem é feio. Computadores, notebook, celulares. Você pensa e eles executam. Escrever pra que? Dá uma trabalheira danada.

Disse à minha sogra, que me mostrou a matéria de Indiana, que desse jeito estamos fadados à involução da escrita. Explico didaticamente:

1 Esqueceremos as vogais
2 Perderemos as consoantes
3 Voltaremos a escrever por símbolos ou emoticons, talvez
4 Pra escrita cuneiforme já é um passo
5 Hieróglifos básicos
6 De tacape na mão, puxando as mulheres pelos cabelos, cheguemos na arte rupestre.

É claro que estou exagerando. Acredito em melhorias, mas é sempre bom tomar cuidado.
Todo começo de ano quando estou dando aula peço para os alunos fazerem um memorial critico / reflexivo sobre seu cotidiano, de no mínimo 30 linhas. Grande parte não sai das cinco primeiras. Outros embromam, aumentam a letra, repetem frases. É quase uma guerra contra o papel, sendo que o inimigo principal é o tal do português, coitado, tão castigado.

E assim concluiremos, sem escrever, sem ler, obviamente, e talvez, desaprendendo a falar. Aos gritos, grunhidos e engasgos chegaremos ao ponto de pedir clemência a São Machado de Assis, mas temendo sempre a volta de um Paulo Coelho qualquer. Nós somos merecedores, mas nem tanto né?

segunda-feira, maio 24, 2010

Videocast: Papo de Buteco 1

Videocast onde apresento meu Papo de Buteco, dando dicas de dois discos da minha pequena e estimada coleção!

Samba, cerveja e muita bobagem!!

A música ao fundo é da banda de gafieira Senta a Pua, que eu não pedi autorização, mas estou dando, assim espero, o devido crédito!

Espero que seja do agrado de todos. Estou melhorando... hehe

abraços e beijos!

terça-feira, maio 11, 2010

Videocast tosco!!!

Ai meus caros!! Quem falou que não dava heim?
Minha primeira tentativa de fazer um videocast, que saiu tosco, mas foi com carinho!

Divulgação do blog e do podcast, que esta semana tem novidades!!

abraços e espero que seja do agrado de todos ver minha carinha!!


twitter: @tiagosanzio


terça-feira, maio 04, 2010

Podcast2

Depois de uma semana com Dengue, estou de volta.
O novo podcast vem com:

Camila de Ávila
U-Gueto
Mestre Jonas e Silvia Gomes

além dos costumeiros lero, lero.

Espero que gostem. E fiquem no aguardo, por que logo mais vem novidades pro blog!

beijos e abraços!



download

twitter: twitter.com.br/tiagosanzio

terça-feira, abril 20, 2010

A volta dos que não foram

Pois bem minha gente, cá tô eu de volta e com novidade!

Posto a minha primeira tentativa de podcasting! Espero que gostem. Tô meio morno ainda no treco, mas prometo melhorar com o tempo.

Essa primeira Edição vocês vão poder ouvir, além das ladainhas:

Coletivo Dinamite
Banda Maitê
Capim Seco

Comentem, viu?
É isso! Depois volto pra escrever mais!

Beijos e abraços!

terça-feira, novembro 24, 2009

Fascinação...

Enquanto não escrevo nada diferente, posto este vídeo com três belíssimas canções que de certa forma me atingem, sei lá, não sei!

Prometo que até quinta sai texto novo... Fim de ano é uma correria dos infernos.. Fechar notas, preencher os malditos diários, aprovar, reprovar, falar e ouvir muitooo... Preguiça é mato, mas tamo ai!

Abraços à todos!!

Show Disfarça e Chora com Anna Toledo, Guilherme Terra e Amelia Gumes com as canções Fala Baixinho (Pixinguinha), Carinhoso (Pixinguinha/João de Barro) e Esses Moços (Lupicínio Rodrigues).



p.s. Atualizando: Agora sim estou apaixonadoo!!!
ah! Por falta de tempo volto a postar apenas em 2010!
Abraços a todos!

quinta-feira, novembro 05, 2009

Trouxa!


Hoje foi um dia cansativo. Exaustivo mesmo, como já imagino que será todo este fim de ano letivo. Já sabia desde o início que ser professor não seria fácil. Ninguém me enganou, nunca tentei ser sonhador ou salvador da pátria. Sempre quis encarar a realidade, tendo consciência dos meus direitos e deveres.

Pra quem não sabe, leciono história em uma escola pública de Belo Horizonte, num bairro periférico e bem perto de minha casa. Cheia de problemas, algumas alegrias e muitas surpresas, como a maioria das escolas estaduais.

Como é um texto de desabafo, posso deixar bem claro que dar aula no estado infelizmente emburrece qualquer um. Você, querendo ou não, fica preguiçoso e acaba se cansando de dar murro em ponta de faca. Mesmo com alguns alunos que merecem um pouco mais de atenção, a paciência vai se esvaindo, aos poucos... Levando sua juventude e sua vontade... Tenho apenas dois anos e meio de profissão, mas a certeza de que não quero isso para a vida toda.

Hoje, depois de uma discussão, um aluno após balbuciar palavras que nem preciso escrever me chamou de trouxa e folgado. Tenho convicção de que folgado eu não sou, mas, no entanto a tristeza e o pesar bateram por que, sinceramente, não sei se ele está errado em me chamar de trouxa.

Trabalho em dois turnos, muito mal remunerado, mas continuo tratando bem a todos e entrando em sala sempre sorrindo. Devo ser realmente um trouxa, porque nunca me lembro de Aécio Neves quando um aluno me desrespeita e me faz perder a autoridade. Ou quando recebo o contracheque. Ou quando vejo propagandas ovacionando as melhorias do governo pela televisão. Seria isso um sonho? Trouxa sim!

Meu medo maior, como sempre digo aos meus amigos, é não saber onde isso vai parar. Ler e ver reportagens de professores agredidos já está virando notícia “normal”. Será essa a educação que queremos? Mas é essa que temos, meus caros.
E é bom ninguém se iludir, por que segundo o que ouço, as escolas particulares estão tão ruim quanto. Um aviso aos professores das faculdades: Eles estão chegando, viu? A bomba também vai estourar no colo de vocês.

Conversando com meu amigo, também professor, João Carlos, levantei a seguinte questão: Um dia com certeza, um político bem ordinário disse em reunião – “Precisamos de uma população burra, que não saiba votar e muito menos lutar por seus direitos, vamos minar a educação, desvalorizar o professor, sucatear as escolar e dar a libertinagem aos alunos, fingindo sempre que é inclusão”- todos os presentes devem ter aplaudido esta brilhante ideia, mas garanto, que nem este político, na pior das intenções, imaginava aonde iríamos ou vamos (?) chegar.

Tenho aluno de Ensino Médio que mal sabe ler ou escrever. Alguns também não sabem falar. Daqui um tempo voltaremos a usar tacape, puxar nossas mulheres pelos cabelos e emitir gruídos indecifráveis.

Ai sim, direi no primeiro dia de aula: Sou o seu professor, trouxa sim, e bem-vindo à idade da pedra!
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Eventos: orkut

segunda-feira, outubro 26, 2009

Nós que aqui estamos...

Modéstia a parte tenho um grupo de amigos pra lá de criativos e originais. Nesta turma tem professores, advogados, jornalistas, fotógrafos, contadores, comerciantes, gerentes, desempregados e por ai vai.

Toda conversa acaba gerando um tema, um assunto para se escrever e criar. Tendo noção disso, meus caros Alexander Reis, acompanhado de Pablo Leandro começaram a postar seus trabalhos neste humilde blog. Por muitas vezes também coloquei fotos de Luiz Carlos, para ilustrar alguns textos. E agora, mais uma vez, prestigio o trabalho deste infeliz! hehe

E isso minha gente é apenas um aperitivo do que está vindo por ai. Podem ter certeza que eu, mais os três citados acima, ainda iremos mostrar para que viemos (e também de onde viemos, para onde vamos?).

Lá vai Luiz, com sua obra intitulada "Pra todo pulmão tem um plástico". Tirem suas próprias conclusões, por favor. Ah! A trilha sonora (que eu particularmente gostei muito) também é do moço, viu?

Abraços e espero que gostem!


"Movidos a álcool, CO2, nicotina; consumindo polietileno de baixa densidade, ou linear. Pele de caixote. Uma embalagem pra me embalar".
Trabalho produzido para aula da Prof. Cláudia / Guignard, UEMG, 2009
Tema: papéis variados / colagem Autor:
Luiz Carlos de Oliveira Ferreira

terça-feira, outubro 20, 2009

Entreatos


Estava eu novamente no balcão de um bar. Nada mais natural, digamos. Cerveja gelada, lugar de sempre, bicando a conversa alheia. Procurando reminiscências para clarear as ideias. Interessante uma noite assim? Vejamos:

1 – Entra um bêbado. Diz me conhecer, pede um cigarro e uma cachaça. Me chama de Rastaman, oferecendo um efusivo abraço, que recuso com um tapinha nas costas. Ele bebe a pinga e dorme no balcão. Acorda assustado e se vai, não sem antes tentar um novo abraço, que eu novamente recuso, é claro.

2- Mulher ao lado, acena para um garotão, que finge que não a vê. Ela tristemente olha pra mim e pergunta: - Eu tô tão feia assim? (juro que aconteceu de novo... acho que tenho cara de espelho de madrasta malvada). Digo que não, ela agradece e volta a seus devaneios, mas menti, devia ser muito bonita sim, só que por dentro, talvez.

3 – Dois jovens na fila do banheiro. Banheiro de buteco, onde mal mal cabe um, mas os dois entram alegrinhos, alegrinhos... Das duas uma: ou é paladar e tato ou é olfato. Prefiro não pensar em nenhuma das opções e me volto pro balcão.

4 – Hora dos doidos de plantão. Vão chegando um por vez. O primeiro é o Neném, um senhor grandalhão e careca que fala embolado e vive de óculos escuros. Vem cumprimentar e começa o discurso. Entendo apenas o final das frases, mas creio que não perco muito de sua retórica. Sai Neném e chega Marcão, perambulando pelas mesas, cantando sambas antigos. Em sua boca faltam pivôs e centroavantes. Ah! E cospe que é barbaridade. Mais uns minutos entra o Dudu, doidinho que só... pede cerveja pra todo mundo e é meio cambota, e por fim o Gordo, vendedor de DVD pirata e umas da pessoas mais engraçadas que já vi. Normalmente bate no Dudu, entre uma piada e outra.

E madrugada adentro as coisas vão se acalmando, entre brahmas, fumaça e muita conversa fiada. O bar fecha e ainda dá tempo de tomar uma saideira ao lado com as moças que antes me atendiam. Poxa, elas também são filhas de Deus né.

O certo é que, para espairecer um pouco não há lugar melhor, isso eu garanto. Contando assim parecem verdadeiros atos, escritos por um teatrólogo medíocre, mas não. Verdade verdadeira. Pra quem quiser conferir é só experimentar uma madrugada assim, como dizer, profissional.

E deixo bem claro, o bom profissional bebe de segunda a quinta. Fim de semana é coisa pra amador! E tenho dito!



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sábado, outubro 03, 2009

Saravá!


Estava eu procurando um vídeo raro para postar neste humilde, porém limpinho, blog / buteco quando de repente, não mais que de repente, me deparo com vários cortes do documentário Saravah, de 1969, do francês Pierre Barouh. O gringo, famoso documentarista que prefere ser considerado amador, teve apenas três dias para captar imagens que sinceramente, eu desconhecia até então.

Encontros inusitados, como João da Baiana, Pixinguinha e Baden Powell, no terreiro do Mestre Pixinguinha, em Jacarepaguá, ou o dueto entre Paulinho da Viola, com cara de malandro moço, sem camisa e bebendo muito, e a garota de 21 anitos, Maria Bethânia.

Por falar em cara de malandro, nada mais ilustrativo do que as cenas de Baden, sempre acompanhado de seu cigarro. Nessa época ainda se podia fumar livremente! E é ele que direciona Barouh pelos cenários cotidianos do samba carioca, desvendando cantos, macumbas, influências africanas, tesouros muito bem explorados. Uma verdadeira lição para nós, amantes de uma boa música. Não deixem de assistir.
Ah! E me emocionei sim, com Pixinguinha conversando e tocando Lamento, e João da Baiana, tocando seu pratinho e dançando macumba como um moleque! Rapaz! Sem palavras!

Baixei por um torrent, que depois disponibilizo.

um trecho, retirado do youtube:

terça-feira, setembro 29, 2009

Cenas


Cena 1

Tempo fechado, jeito de chuva.
Uma mulher, 30 e poucos anos, puxando apressadamente sua filha. A pequena criança, com suas pernocas, tentando acompanhar os passos da estressada mãe, que aos solavancos diz: - Vem logo menina, agora mesmo chove e a gente molha toda, nunca vi andar tão devagar.

Cena 2

Tempo fechado, jeito de chuva.
Uma mulher, 50 e poucos anos anda devagar e apreensiva com a chuva que logo cairá. Sua filha adolescente vai na frente, falando alto: - Mãe! Anda logo! Não vou te esperar! Não posso molhar meus cabelos. A mãe olha, meio encabulada e tenta apertar o passo.

Conclusão: Sendo mãe ou sendo filha, ande sempre de sombrinha ou guarda-chuva, por que chatura e impaciência não tem idade.

Cena 1

Eu sentando no lugar de sempre, tomando minha saideira de sempre, no horário de sempre. Chega até mim um bêbado gritando, cuspindo e gesticulando: - Eu te conheço! Eu sei onde você mora! Onde você mora? Você sabe onde você mora?
Respondo compadecido: - Sim, eu sei onde eu moro. E ele: - Eu sabia que sabia onde você morava. Depois desse enriquecedor diálogo, começou a cantar e não parou mais.

Cena 2

Eu sentado no lugar de sempre, tomando a saideira de sempre, no horário de sempre. Duas jovens indo ao banheiro. Uma delas para na minha frente e pergunto: - Ei, eu estou bonita? Assustado com a pergunta, respondo que sim, sendo complacente e educado. Os atendentes às gargalhadas. Ela explica o porquê do questionamento e se vai, muito alegre pela resposta. Digo apenas: - Estamos aqui para isso.

Conclusão: Beber sozinho no balcão é como um quadro de Salvador Dali: Surrealismo puro. Espero o momento, neste calor, que o relógio na parede comece a derreter.

Na próxima, mais cenas para vocês.

twitter: sigam-me os bons!

sábado, setembro 26, 2009

Apontar e fogoo!!

Enquanto o fim de semana me absorve, fiquem com Jair Rodrigues, ganhador do II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, com a música Disparada, do Vandré e Théo de Barros. Essa música ficou empatada com A Banda, do Chico! Mas o que mais me chama a atenção é a interpretação do negão! Lindo lindo!




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terça-feira, setembro 22, 2009

Lei


Daqui uns dias vai ser assim...

Toc toc toc
- Mas quem será uma hora dessas da madrugada?
TOC TOC TOC!!!
- Já vai, caçamba, já vai! Pois não?
- Boa noite, meu jovem. Acabamos de receber uma denúncia que você estaria fumando em um ambiente fechado, e parece que é verdade mesmo, pois vejo que continua em pleno delito.
- Mas como é que é? Estou em minha casa. Quem é você?
- Mais respeito. Sou o novo fiscal do governo, adequando todos à nova lei. Não tá sabendo? Foi votado ontem no Congresso. Agora não é mais permitido fumar em local fechado, mesmo sendo sua residência.

- Haja paciência... Ei ei! Aonde você pensa que vai?
- Tenho ordens e mandatos para revistar todo o local do crime, atrás de guimbas, cinzeiros ou coisas do tipo e... o que é isso?
- Fecha essa porta que minha senhora está nua, corno manso.
- Hum.. agora entendo o cigarro. Apontado o agravante. Fumar após o sexo aumenta a multa, pois com toda certeza o meliante fumava na cama, e isso pode ocasionar risco de incêndio ou no mínimo buracos no lençol. Sua mulher também fuma?
- Não! E sua vó, fuma?

- Já lhe disse para parar com este desrespeito, por que o senhor já está em maus bocados. Essa carinha de classe média não me engana. Aposto que dividiu este ap em 25 anos pela caixa e ainda colocou o fundo de garantia e o genro como fiador, carro popular em 36 vezes e emendando com cigarro do Paraguai, o que aumentaria a pena, por compra de produto contrabandeado.
- O quê? Olha aqui meu maço, camarada. Tudo original!
- Rapaz! Pedirei reforços! Cigarro SEM FILTRO? Em países desenvolvidos isso te lavaria a pena de morte, sabia?!

- Onde já se viu algo assim... Em que mundo estamos, meu são Sebastião! Posso pelo menos saber de onde partiu a denúncia?
- Seu vizinho do lado, com toda certeza um cidadão de respeito.
- Faz-me rir. Cheirador safado.
- Opa! Cuidado com a calúnia heim bandido. A lei é clara. Crime é apenas pra quem fuma cigarro. O resto ta liberado. Não me venha com deliberações por que nossos governantes sempre sabem o que estão fazendo.

- É mesmo? Por que então você não vai fiscalizar o Palácio da Liberdade e me deixa em paz!
- Lá tá tudo limpo, posso garantir. Mesmo por que, segundo a nova lei charuto cubano da marca Monte Cristo também pode o que nos dispensa um trabalho e tanto.
- Quer dizer que rico tem direito de fumar né!
- É a vida meu caro. Já ouviu a máxima: Você sendo pobre, não pode mais nem cair morto, o que dirá fumar, prejudicando nosso ar e nossa imagem de povo saudável em frente aos bons costumes, o politicamente correto, a Rede Globo e suas mensagens de incentivo! Isso não, bandidagem. Teje preso, ta certo?

- Preso? Mas... cadeia? E lá pode fumar?
- Lá pode né... Já viu a lei entrar em presídio brasileiro!? Aí é querer demais...
- Hum.. sabe que não é má ideia... Pera ai que vou despedir da minha mulher...
- Mas sem gracinhas heim, que a coisa pode ficar ainda mais preta para o teu lado.

- Mais o quê?
- ...eu não disse nada...
- Opaaa!!!! Pego em flagrante nesta expressão completamente racista, companheiro!!! E agora, como fica?
- Bom... uma mão lava a outra, né...
- É... tudo em paz... falando em paz.. Afim de um tapinha?
- Ah... isso pode... creio eu...
- Ai Brasil, seu lado europeu que tanto me enaltece!

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sábado, setembro 19, 2009

Enquanto isso...

Enquanto não chega o texto novo, vão curtindo o videozim, pra lá de divertido. E recomendo assistirem a TODOS deste canal Trama/Radiola. Bom fim de semana, meu povo!



ah!! Tô no twiter agora viu? http://twitter.com/tiagosanzio Passem lá!

sexta-feira, setembro 11, 2009

O Universo Fantástico da Filosofia de Boteco


Número 20

Traga então a saideira garçom, faz favor, que a despedida é como uma pimenta braba, nervosa, faz-me escorrer lágrimas.

E a saideira é como a prorrogação, muitas vezes os noventa minutos não bastam para nada. Que o diga o Banjo, adepto da prorrogação seguida por disputa de pênaltis, o amigo usa todo o seu rebolado para que a saideira não chegue nunca, ou melhor, chegue sempre e jamais honre a fama de ser a última das últimas.

Ah, quantas vezes já pedi arrego, porém, maior é o homem com limites, pelos menos tem algum grau de previsibilidade e hora para dormir. Não que eu jogue no Careta Futebol Clube, só que o bom sujeito preza pelo seu sono, nem o som, não há samba, não há nada que me faça mudar, fui.

“Nada é exagero”, alerta-me o grande oráculo, olho que tudo vê, pois por um bom rabo-de-saia (quase) todos abrimos uma exceção, mas, oxe, sobre isso nem falo, o time dos casados anda cheio e não quero fazer inveja nem balançar o matrimônio alheio, isso eu não faço, não.

Fiel esposa, não vem que não tem, sou a favor da monogamia, mas não chego a fazer passeata. Fiel esposo, cuidado, a perdição é perigosa como a ilha de Lost, mas conselho não é comigo e se não fosse o livre arbítrio a vida seria como feijão sem tempero, ruim de aturar, uma merda.

“É a saideira, não precisa polemizar”, berra em meus ouvidos o grande oráculo, ele tem mestrado e doutorado na arte de aconselhar. Vem regular não, que eu não sou opalão seis canecos para ser assim regulado, fora que a (in)fidelidade é assunto que sempre rende, quem nunca foi corno que atire o primeiro copo.

“Pelo menos pare de enrolar”. Tá bem, ó Dr. oráculo, eu paro, afinal, sua razão de ser única são os conselhos. Vamos ao que interessa, que o que interessa é sempre interessante, reparou? “Falô viu, rei da lógica.” Obrigado, jamais recuso um elogio.

A tragédia do Mão-de-Quiabo

Eu estava tranquilão, numa boa, sem neurose, sem massagem, no caso em que eu e o grande oráculo assistimos não de camarote, de geral; gostamos é da fuleiragem. De resto, há situações em que melhor é assistir do que sentir, princípio básico da filosofia de boteco voyeur.

Mão-de-Quiabo recebeu esse nome porque era um goleiro horroroso e a bola sempre escorregava em suas mãos antes de morrer nas redes, tudo em suas metas acabava em gol. Mão-de-Quiabo era e é ainda hoje a alegria dos atacantes e o pesadelo da zaga, frangueiro de uma figa.

_ É, Sujeito, hoje estou com azar – ele dizia todos os domingos.
_ Você é um grande filho da puta, mas eu gosto de você. Não como goleiro, mas como pessoa.
_ Obrigado, Sujeito, você é gente boa, o japonês gordinho, o Bicho-do-mato e o Borboleta também. O resto, aqui nessa pelada, é só chifrudo, só corno.
O que há, Mão-de-Quiabo?, eu perguntei, sem entender direito, dizem que penso devagar, que meu cérebro veio só com duas marchas, não creio.

Os atacantes gritavam “toma, pereba”, “busca lá dentro”, riam e morriam de tanto tripudiar do goleiro, que retribuía com um meio sorriso, fazer o quê.

E os zagueiros ficavam putos, “como pôde tomar esse peru?, tomar no cu!”, neto da vaca com o burro, filho de puta com pedreiro, “aposenta, peruzeiro safado”, “goleirinho vagabundo!”, no que também eram todos presenteados com um meio sorriso e um franguinho de granja.
Nada tenho contra putas e pedreiros.
Nem contra as vacas, sendo que sou simpático aos burros.
Mas não entendia o porquê de tanta paciência do Mão-de-Quiabo.

De estranho já basta o mundo, eu pensei, só que o oráculo cantou a pedra, qualquer olho que tudo vê, mesmo do Paraguai, é perspicaz que só:
_ O primeiro filho do Buiuzinho, artilheiro implacável e um dos maiores detratores do goleiro frangueiro, é cara e focinho do Mão-de-Quiabo, coisa danada. Onde há fumaça há cigarro – disse ele.

Assim foi também com os dois rebentos catarrentos do Enxada, zagueiro de personalidade forte que sempre perseguiu o frangueiro vagabundo. A mão de uma das crianças era engraçada, suava esquisito, babava feito quiabo. Logo, o oráculo e eu apelidamos o fedelho de Quiabinho Júnior.
_ Clima tenso, a pelada tá avacalhada – alguém comentou e não foi o único.

Mais estranho que dondoca bebendo caldo de cana foi que Mão-de-Quiabo ganhara confiança. Fazia defesas difíceis, “é um milagre!”, quase não engolia os tradicionais gluglus, seu meio sorriso era agora um sorriso inteiro, como as coisas são, para você ver.

Em coisa de um ano, um ano e meio, mais três crianças parecidas com o Mãozinha nasceram, sempre filhos de algum dos peladeiros da região.
Um fuxico, o pessoal com sangue nos olhos, babando, babando, desconfiados, chegando junto. E houve quem disse “tá tudo normal, os filhos estão pagando os pecados de vocês, que maltrataram o coitado, por isso nascem com a cara do Mão-de-Quiabo”, explicação exotérica que não resistiria a um teste de DNA.

“Sujeito, desculpe, mas despedidas intermináveis é coisa para frescolentos. Fora que já cansei de vê-lo contar essa história, ainda que a cada vez apareçam novos detalhes sabe-se lá de onde”. Não, não, meu compromisso com a verdade pra lá de verídica é inabalável, como não? “Bem pra lá de verídica”. Se me interrompe eu não acabo nunca, malandragem. “Termine logo, conselho de oráculo”.

Quando Buiuzinho, com habilidade e irreverência, voltou após longa seca a fazer gols, já na prorrogação da peladinha, seu alvo foi ele, o goleiro e anti-herói. Todos ficaram pilhados, malhando, sacaneando, Mão-de-Quiabo era agora a Geni de chuteiras.

“É, Buiuzinho, só que lá na sua casa eu é que sou artilheiro”, retrucou o arqueiro, dando início a uma grande confusão, muitas separações, sendo que vi como triste é o desquite, só que de uma tristeza podem nascer muitas alegrias, quem me ensinou foi o oráculo.
“Vá logo àquela parte do título, já paguei a conta”.
O episódio ficou conhecido como A vingança do Mão-de-Quiabo, mas quando oficiais de justiça intimaram o frangueiro, e não foram poucos os processos de pensão alimentícia, o caso ganhou o tempero da tragédia, que delícia. Ah, se o universo não é fantástico, o último gole da saideira, pronto, fui.
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Texto: Alexander Reis
Ilustrações: Pablo Leandro

quinta-feira, agosto 27, 2009

O Universo Fantástico da Filosofia de Boteco



Número 19

Quarta, 09h35min

Bem, bem, bem, nenhum universozinho fantástico sobrevive sem os compañero, disse-me um amigo dos mais experientes.
Sugerindo mais intimidade do que tínhamos de fato, o safado veio com um papinho de deixe-me narrar minha história, dê cá um pouquinho de prestígio pro compañero.
O quê que há, rapaz, aqui não! De forma alguma, não senhor, a não ser que se trate da verdade mais pura e seja ainda assim interessante, quem narra aqui sou eu.

Sei que tenho arroubos de exigência, pois é árduo e desgastante ser ao mesmo tempo honesto e interessante. Mas cada um é exigente ao seu modo, pelo menos é o que dizem alguns dos grandes autores da filosofia de boteco. “Fora os que perderam qualquer padrão de exigência, seja por necessidade ou por alguma patologia mesmo”, foi o que li e vi que realmente é assim

Mudo a toada, volto dessa de divagar, pois disse ainda o amigo experiente que, bem, se eu recusasse, que Narcisão era eu então!, vê se pode, mas haja o que hajar, não sucumbo a ameaças, qual o quê. E o amigo só naquela, usando a experiência, aquele por que não?, o solidário não quer solidão, eu disse tudo bem, tudo está bom enquanto estiver bom; conte, meu filho, conte. Estamos todos em casa, pode contar, assuma o leme que vou descansar, “é com você” eu disse pra ele. “Está bem, obrigado”.

Segunda, 09h23min ou 09h25min, 3 anos antes

Uma segundona, 09h23min ou 09h25min da manhã, não me lembro bem.
_ Continue, hoje você é quem manda, falou tá falado.
_ Não vai anotar?
_ Tenho a memória boa, se houver algum buraco eu completo da minha cabeça.

Não vou contar o meu nome.
_ Por quê?
_ Naquele momento eu não lembrava, um lance de amnésia.
Não lembrava meu nome, não lembrava de nada, não sabia quem era o barrigudo na frente do espelho, quem seria?, um piri-pac brabo, brabo.

E eu naquela filosofia de não ter filosofia, ia indo, sem nome e sem nada, o que ia fazer? Fazia dias, a única cousa que eu sabia é que acordei num quarto.
_ Você disse cousa?
_ Foi o que eu disse.
_ Você disse quarto?
Acordei num quarto, ali na Santos Dummont, não muito longe da Tupis. No aposento tinha um ventilador que dava um ventinho gostoso, e tinha também um celular e um bilhete que dizia “Eldorado – o forró da sacanagem”.

Eu pouco saía do quarto, como eu pagaria aquele quarto? Na maior nóia, um rebuliço típico do centro me espantava, pela manhã eu dormia e assim eu ia, enquanto corria a barca.
_ Tudo bem, mas seja mais sucinto pra não perder o bonde; quem perde o bonde vai a pé, sabe cumé.

Quem fica bem sob pressão é um cupim bem temperado, a suã também. Vamos por partes, como diz aquele que prepara o porco para a feijoada, ou você pensa que a feijoada nasce como chega ao prato?
_ Fora os que plantam pés-de-feijoada, muito comum lá em São Judas das Botas, sei como funciona a cousa.

Conversa mole, Sujeito, deixo pra ti, compañero, mas a verdade é que eu só tinha coragem de deixar o quarto à noite, tanto que numa dessas, dei uma voltinha esperta e me deparei com um ônibus em um momento batizado como crucial por pessoas de vocabulário limitado.
_ Se quiser posso procurar um sinônimo de crucial e colocar.
_ Não precisa.
_ O que aconteceu de cruciális, decisivo, terminante?
Eu vi um ônibus. Na frente, um número qualquer e um letreiro que dizia “Eldorado”.
Mesmo sem o dinheiro da passagem, entrei. Expliquei a situação com calma e o trocador perplexo disse-me “aí no seu bilhete não está escrito Eldorado, mas, sim, El Dorado. Conheço bem: um forrozinho perto ali do Santa Inês”. E completou com um tal de você tem que pagar sua passagem.
_ A solidariedade não vive em todos os corações, quem sabe um dia... Seja mais sucinto.

Bem, bem, bem, para escapar do magic bus dei o velho golpe do envelope.
_ Que porra é essa?
Aproveitando um pequeno envelope que guardava o bilhete, eu disse bem alto “quem perdeu o envelope com o dinheiro?”, todos gritaram “fui eu, é meu, dá cá!”, já brigando entre eles, pra saber quem era o dono, pode crer?
_ E aí?
Eu respondi “acalmem-se, acalmem-se, por enquanto só encontrei o envelope, nada do dinheiro”. Dois homens e uma senhora discutiam, declaravam-se os verdadeiros donos do dinheiro. O trocador sabia que não existia dinheiro algum, mandou-me descer temendo o pior.
_ Acabou?
Escapei bonito. Nem sete minutos depois e outro momento crucial.
_ Outro?
_ O celular.
_ O celular?
Toca. Não atendo. Toca, não atendo. O medo do desconhecido.
_ Sei.
Toca de novo, alô. E vamos naquele quem é, eu é que lhe pergunto, saudade de você, ele diz, e sem saber digo “eu também”. Veja que eu senti saudade de alguém, eu nem sabia quem, porque bom é falar com algum conhecido.
_ Um ilustre conhecido desconhecido?
_ É.
E ele falou “que loucura foi aquele dia, vamos combinar outro desses”, com menos vodka e menos gelo, por favor, que minha garganta foi nocauteada, respondi fingido que só, porque lembrar eu não lembrava.
Do outro lado, o conhecido continuou falando ao telefone. “Da próxima te acompanho no Forró do El Dorado, soube que você aprontou barbaridades por lá, depois me conte direito essa história, compañero.” Pode deixar que conto sim, claro, eu respondi.

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Texto: Alexander Reis
Ilustrações: Pablo Leandro

sexta-feira, agosto 14, 2009

O Universo Fantástico da Filosofia de Boteco ­­­


Número 18

Um daqueles dias, qualquer um, um dia comum dos mais iguais que já vi. Em 82,5% dos dias vivemos entediados pelo cotidiano e a rotina, segundo pesquisa de uma universidade inglesa que acabei de inventar. Mas o número é alarmante. Segundo a mesma universidade, o que resta é passar o tempo conversando, haja assunto.

Segunda-feira, 13h02min

Agora, na falta de assunto, reparem depois, para não dizer que estou inventando, não falta nunca um filósofo a improvisar, ou, para ser exato, um improvisado a filosofar.
_ Exatamente! – ele diz.
_ Eu só estava pensando alto.
_ Ah, por isso então, deve ser, um cheiro estranho no ar...

Bicho-do-mato, ele mesmo, quem mais poderia?, desgraçadamente infame, Macunaíma da periferia, mas cotidianamente meu amigo.
_ Estou escutando.
_ Desculpe, só estava pensando alto, tanto que o elogiei.
_ E dizer que sou seu amigo é elogio?
_ Na ausência de um elogio melhor...
_ Garçom, vê pra nóis dois Kaol, será que Kaol eu digo no plural?, não faz mal, vê também aí uma cerveja, que antes do almoço é muito bom, pra ficar pensando melhor.
_ Mal me faz é um cochilo depois do almoço. Ovo dá pesadelo.
_ O segredo é peidar todo o ovo antes de dormir!
_ É?
_ Mas, Sujeito, que irônico, olhe só, estudei a vida toda e a vida inteira em uma escola plural e até hoje passo mal com os plural, foda.
_ Treine colocar um s depois do Kaol; “é isso”.

Na carência de uma conversa razoável, lembro que Kaol, o nome, não surgiu do nada: é k de cachaça, a de arroz, o de ovo, l de linguiça. Infelizmente o torresmo, a farofa e a couve não couberam no nome.

_ Mas cabem no meu prato, Deus abençoe o Café Palhares, desde 1938, por isso.
_ Eu só estava pensando alto.
_ Senti um cheiro mesmo, mas veja só, Sujeito, que irônico, futebol é mesmo um universo fantástico à parte, o mundo fora dos mundos, bem melhor que qualquer filosofia abilolada.
_ Na falta de assunto, só se for.
_ Olhe só, o quê que é isso!, quem diria o quê disso?, Sarney, Lula e Collor, no mesmo time, beijando o escudo, matando no peito e tocando a redonda. Se antigamente não era só pernada, era cotovelada, carrinho por trás; sabe, pra mim, acabou o amor à camisa.
_ Ali são todos profissionais, pais de família. Só que a janela de transferências está aberta nessa época.
_ Nessa?
_ É o que dizem, mas no futebol não tem rotina.

_ O grupo tava desacreditado, agora tá unido, com humildade, o esquema definido, atenção na bola parada, respeitando o adversário, mas aproveitando as oportunidades... chegou!, ó os Kaols!
_ Bom apetite – e começo a mastigar sempre pelo torresmo. Hábito.

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Texto: Alexander Reis

Ilustrações: Pablo Leandro

terça-feira, agosto 04, 2009

Curtas 5


Senado

Muito se discute sobre nosso Senado, PMDB, atos secretos, opinião pública caindo de pau. Mas, o que me parece intrigante nesta história toda ninguém fala: Por acaso alguém já viu o Sarney sem bigode?

Complô

Depois da gripe aviária e da vaca louca, a gripe suína. Teimo em dizer que os vegetarianos juntamente com o greenpeace estão querendo dominar o mundo. Mas para garantir uma picanha maturada entro nesta guerra sem pestanejar.

Inverno

Se não chover em Belo Horizonte nos próximos dias podem acabar com nossas subidas e esquinas e trazer pra cá o Congresso Nacional. Pra virar Brasília falta pouco. Nosso governador já pensando nesta secura do tempo encomendou da Colômbia um nariz platinado novinho, dizem as más línguas. Vai se saber por que...

Livro e filme

Li nestas férias Budapeste do inenarrável Chico Buarque e agora estou morrendo de medo de ver o filme e achar una mierda, como normalmente acontece. O livro vale muito a pena. Recomendo.

Livro e filme II

E vão colocar na tela duas produções baseadas nas obras de Paulo Coelho. Ai ai... Neste caso a premissa acima muda completamente de sentido. Ambos devem ser ruins de doer.

Filme e livro

Depois de muitos alunos falarem pra eu ver, decidi aventurar num tipo de película que nunca me agradou. Peguei o tal de Crepúsculo e perdi 1 h e 40 min da minha vida. Tudo bem que é para adolescentes, mas, adoro desenhos e garanto que mesmo sendo para crianças são muito melhores do que este. Nem penso em chegar perto do livro.

Música

Ouvindo muito o CD que ganhei ano passado do compositor e cantor carioca Edu Krieger. Depois que vi a entrevista dele na Globo News, passei a dedicar mais atenção. Valendo a pena. E ele lança disco novo em setembro. Fico na espera.

Música II

Assisti também a cantora Aline Calixto no programa do Jô. Ótimo saber que os músicos daqui de BH estão aparecendo em rede nacional, pero, a entrevista deixou muitoooo a desejar, não pela Aline, mas sim pelo entrevistador, de quem nunca fui fã, deveras. David Letterman piorado. O disco dela? Gostei bastante. Podem conferir clicando aqui! Muita sorte para todos eles.

E vou ficando por aqui, mas esta semana reapareço com texto novo ok?

Abraços!!

sexta-feira, julho 31, 2009

O Universo Fantástico da Filosofia de Boteco


Número 17

Nem whisky do Paraguai com amendoim nem bolinho de couve. Nem licor de jurubeba nem pão sovado com patê de ganso.
_ Suco de mamona?, hoje não, obrigado, estou saindo, se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí...

E que delícia é o simples, churrasquinho, cerveja, festa na floresta, o antro da fuleiragem de bom coração que é o Bar do Baiano, minha Pasárgada, meu analgésico, meu mar.
_ Baiano.
_ Sujeito, aqui está você, quanto tempo, ouvi falar que estava comendo o churrasco da concorrência, que era um traidor, crápula, bom que voltou.
_ Eu, no Gato-grill?, de jeito nenhum, os gatos de lá não são de procedência boa.
_ Então experimentou?
_ Eu precisava, até para poder falar mal.
_ Se é assim...
_ E as novidades, Baiano?
_ Bem, vou lançar um livro de auto-ajuda, “Seja o gerente de sua vida”, fazer algumas palestras, coisa fina. Às quintas vou continuar mandando o churrasquinho. Nos outros dias, carne cozida. Olhe ali, seu amigo, Messias.
_ Meu amigo?
_ Vá cumprimentá-lo, ora essa.

Opa, saindo picanha de gato argentino!

Feijoada em lata, batida coalhada, conserva de pepino, não, não. Sem também essa de Bohemia, Original, cerveja artesanal. Cerveja não é coisa de artesanato, onde já se viu, que frescura.

_ Qual é, Messias.
_ Sujeito, my friend, deixe-me contar uma profecia.
_ Claro, claro, conte inteira.
_ Diga-me com quem andas e eu lhe direi com quem andas. Diga-me quem és e eu duvidarei, nunca sabemos realmente.
_ Isso não é profecia, é um provérbio, um provérbio alternativo.
_ Maybe...
_ Seu inglês; seu inglês é meio não lembro bem o termo.
_ Sorry, que negócio é esse de meio termo?
_ Meio perturbador, lembrei; bem, também não quero podá-lo...
_ Of course.
_ Que tem arrumado Messias?
_ Arrumo meu quarto pela manhã, à tarde estou vendendo teste vocacional para pessoas maduras.
_ Vou comprar um, estou perto dos 30.
_ Meus clientes têm vocação pra otário, não precisa comprar, everything is fine.
_ Faço questão.
_ Cool.
_ Mas não vou pagar agora. Semana que vem!, semana que vem eu pago.
_ No sir.

Saindo maminha de gata prenha!
Olha o espeto de filhote ao alho!


_ Creusa.
_ Quanto tempo, Sujo.
_ O bom filho o copo entorna, você sabe.
_ Andaram dizendo que você não passa de uma traíra sem espinho, foi o que disseram.
_ E você acreditou?
_ Sei que te viram no Gato Grill.
_ E?
_ Não acreditei, pensei que tinha sumido, sumido por um desses seus pobrema de necrose.
_ Aqui minha neurose descansa.
_ Até de você por perto sentiram saudade...
_ A saudade é igual a um tumor, quando a gente a percebe, já está nos matando.
_ O quê?
_ Nada, mas e a música, que horas começa?
E não é choro nem bossa, até que cairia bem aquele balanço de New Orleans, coisa sofisticada, mas, sem frescura, no Baiano, manda o embalo do famoso pagode-mauricinho, devagar miudinho, olhe as meninas, uma beleza, chora Baiano!, um churrasquinho de primeira, somente às quintas. Nos outros dias, carne cozida.

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Texto: Alexander Reis
Ilustrações: Pablo Leandro