
Pois é rapaz! Januário morreu tão novo né?
Novo? Novo o que? Onde? Já tava fazendo hora extra. Ninguém mais agüentava esse velho rabugento. Ta vendo alguém chorando?
Tem aquelas duas senhoras ali.
Aquelas de preto? Carpideiras contratadas. Por ele mesmo ainda por cima. Mal sabem elas que o cheque é mais borrachudo que pão dormido. Terão motivos pra chorar de verdade.
Que isso...
Tu não viu nada. Acha que ele deixou algo pra mulher ou filhas? Perdeu tudo no jogo. Aquelas ali atrás, são ex-amantes, sabia? Uma penca de filhos. Tudo pra dividir herança. Herança? Vai vendo...
Olha! Chegando mais quatro, aos prantos... Ele foi bom para alguém, afinal!
Faz-me rir. O da frente é agiota. O gordinho, dono do bar da esquina. O de bigode, dono do açougue, e aquele, praticamente esperneando, histérico, é primo. Caiu na burrada de ser fiador.
Januário não pagou ninguém?
Com o que? Nem vendendo um dos rins, meu rapaz. Nada naquele corpo prestava mesmo.
Mas quanto rancor heim. O que ele te fez afinal?
Comigo? Que eu me lembre, nada. Mas o que você quer de mim? Ele já ta morto poxa. Deixa-me malhar o Judas em paz. Faiz favor.
Pobre Januário. Deve ter sofrido muito durante a doença, com tantos delatores e cobradores.
Que nada, homem. Morreu de bem. Tranqüilo. Somos mineiros.
O que tem isso? Posso saber?
Uai, extremamente solidários no câncer...
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Apesar deste humor sombrio, deixo um pequeno desafio pra quem me lê! Tão vendo esta nova faixa em cima do blog? Com o retrato de vários escritores? Eu que montei! Gostaram? São 3 montagens diferentes pra gente brincar! Pois bem, o primeiro que me falar o nome de todos eles, na ordem, ganha o inenarrável prazer de tomar umas Brahmas comigo no bar do Geraldinho. Inteiramente por conta!
Primeiro desafio lançado. Boa sorte!