
Tem dias em nossa vida que o problema maior do mundo parece coisa pequena comparado ao que sentimos. Estranho não é? Mesmo bêbado costumo aprender muitas coisas. Vai vendo!
Hoje estava bebidamente triste e me acabei no glamoroso Recanto do índio, onde uma Brahma gelada sempre é a maior parceira. Chorando o leite derramado um indivíduo sempre percebe tal inquietação, e como num piscar de olhos começa a balançar beiço, demonstrando uma infinita lábia e trejeitos para contador de histórias.
Este sujeito, um tanto simpático, após contar uma triste e feliz passagem de sua vida onde tinha acabado de recuperar a visão, relata ansioso uma pequena parábola, que, segundo ele mesmo, foi passada por um andarilho, no meio-fio de um lugar qualquer.
Agora lhes conto, é claro, em minha versão, que é bem mais divertida e muito menos cristã.
Dizia ele que um pequeno lavrador tinha acabado de se casar e disse a sua humilde esposa após a noite de núpcias: - Vou-me embora por 20 anos e quero que me espere, pois voltarei rico para construir nossa felicidade.
A moça, Amélia nesta época, concordou, e viu o marido partir. Este, corno esperançoso, foi para uma fazenda a léguas de distância e após conseguir emprego disse ao seu patrão: - Doutor, não quero que me pague agora. Prometi a minha amada riqueza. Guarde tudo que me deve e me dê daqui a vinte anos. O patrão que não era bobo nem nada acabou concordando. Otário nem imaginava os juros que poderia ter conseguido.
Passados os vinte anos o humilde e trouxa empregado foi até seu patrão reivindicar o honorário. O doutor prontamente fez um banquete e finalizada tal festa disse ao homem: Posso lhe dar agora tudo que lhe devo, ou três sábios conselhos, segundo Paulo Coelho. O que você escolhe?
Não tendo nada a perder, além da esposa que já devia estar com outro, e 20 anos de salário o pobre mancebo escolhe os conselhos, é claro. E eram eles:
1- Siga sempre o seu caminho
2- Não seja curioso
3- Não aja de modo algum conduzido pela raiva
O corno, satisfeito com tais conselhos foi seguindo viagem, e antes de partir recebeu ainda dois pães de seu miserável e sovina patrão e este lhe disse: - Um dos pães é para você matar a fome e o outro é exclusivamente para dividir com sua família.
O homem foi caminhando para casa, em busca da tal felicidade e sempre se lembrando dos conselhos do patrão. Com toda certeza CUT, CLT e CTB não existiam nesta época.